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Dias de Melo

José Dias de Melo | Memorial e Homenagem – Funerária FerreiraFaleceu a 24 de Setembro de 2008 no Hospital Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, aos 83 anos de idade, o escritor açoriano José Dias de Melo, cuja obra literária se estendeu por cerca de cinco décadas e marcou profundamente a cultura dos Açores.

Nasceu na Calheta do Nesquim, ilha do Pico, a 8 de Abril de 1925. Professor primário na Ilha de São Miguel, tornou-se um profundo conhecedor da temática baleeira e da emigração, dois temas centrais da sua obra. Antes do 25 de Abril, foi perseguido pela PIDE e teve de abandonar a ilha, estabelecendo-se em Lisboa, onde colaborou com o «Diário de Notícias» e o «Diário de Lisboa». Na capital, conviveu com importantes figuras literárias, como Ferreira de Castro, Fernando Namora, Armando Côrtes-Rodrigues e Fernando Assis Pacheco, mantendo sempre uma ligação forte às suas raízes açorianas, para onde regressou mais tarde e fixou residência. 

Iniciou o seu percurso literário nos anos 50, com o livro de poesia «Toadas do Mar e da Terra», a que se seguiram outras obras de grande destaque, entre as quais «Mar Rubro», «Mar Pela Proa» e «Pedras Negras», este último considerado um dos seus títulos mais emblemáticos e que alcançou tradução para várias línguas. Ao longo da sua carreira, publicou um conjunto diversificado de romances, contos, poesia, crónicas e recolhas etnográficas, nas quais se evidenciam a vivência insular, a dureza da vida baleeira, a emigração e a condição social das comunidades açorianas.

O seu trabalho literário foi amplamente reconhecido, tendo sido condecorado, em 1989, pelo Presidente da República Mário Soares, com o grau de Oficial da Ordem do Infante Dom Henrique. Em 2008, o Governo Regional atribuiu-lhe a Insígnia Autonómica de Reconhecimento e o município de Lajes do Pico distinguiu-o como Cidadão Honorário. A sua obra continuou a ser valorizada posteriormente, com edições e homenagens que reafirmam a importância do seu legado na literatura portuguesa e na identidade cultural dos Açores.

O seu legado é ainda hoje reconhecido por meio de iniciativas culturais e homenagens, como exposições, eventos e prêmios literários que preservam o seu nome e a sua contribuição para a memória e para a história açoriana.

O seu funeral realizou-se após missa de corpo presente, na Capela de São Joaquim, seguindo para o cemitério de São Joaquim, onde foi sepultado.