Gonçalo Lobo Pereira Caldas de Barros
Faleceu a 13 de janeiro de 1968, na sua residência em Ponta Delgada, aos 80 anos de idade, o Coronel Gonçalo Lobo Pereira Caldas de Barros, militar do Exército Português e personalidade da administração pública e política nos Açores.
Nasceu a 26 de março de 1887, na freguesia de Sabrosa, concelho de Vila Real, ligado à família dos Barões de Provezende, mas fixou-se ainda muito novo em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, onde construiu grande parte do seu percurso de vida.
Ingressou no Exército em 1907 como oficial de Infantaria, sendo depois promovido sucessivamente a alferes (1911), tenente (1915), capitão (1918), major (1937), tenente-coronel (1941) e coronel (1943), posto no qual passou à reserva em 1945, vindo a reformar-se em 1957. Serviu longo período na guarnição da ilha de São Miguel e, enquanto tenente, participou na Campanha de Moçambique contra as forças alemãs durante a Primeira Guerra Mundial. Foi distinguido com a Ordem Militar de Avis, tendo sido agraciado com o grau de Oficial em 1922, durante a presidência de António José de Almeida, e com o grau de Comendador em 1944, no mandato de António Óscar Carmona.
A nível político-administrativo, integrou uma geração de administradores responsabilizada pela organização institucional dos Açores após a implantação da República. Durante a Ditadura Militar, foi nomeado Governador Civil do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo, funções que desempenhou entre 31 de outubro de 1927 e 19 de novembro de 1928. No ano seguinte, foi igualmente nomeado Governador Civil do Distrito Autónomo de Ponta Delgada, cargo que exerceu entre 2 de julho de 1929 e 17 de junho de 1931, períodos marcados por profundas transformações sociais e administrativas na região.
O seu contributo institucional insere-se num contexto em que outros dirigentes desta geração também desempenharam papel ativo nos Açores. Por exemplo, na mesma era política, figuras como Francisco Luís Tavares, jurista, deputado, múltiplo governador civil, fundador de jornais regionais e dinamizador da construção do Teatro Micaelense, através da Companhia de Navegação Carregadores Açorianos, participaram igualmente no reforço da administração civil e na vida pública do arquipélago ao longo do século XX.
O funeral
O funeral realizou-se às 11 horas do dia 14 de janeiro, partindo da sua residência, em Ponta Delgada, para o Cemitério de São Joaquim. A condução da carreta fúnebre foi organizada em dois turnos:
1.º turno: Dr. Victor de Melo Costa, Dr. Luís Tavares Neto Sequeira de Medeiros, Bruno Tavares Carreiro e Luís Augusto Teixeira de Simas.
2.º turno: Eduardo Leite Pacheco, Eng.º Manuel Luís de Medeiros e Câmara, António Hermano Tavares de Melo e José Manuel Lalande Gonçalves.
Para as fitas foram organizados três turnos:
1.º turno: Coronel João Moniz da Ponte, Capitão-Engenheiro Vicente Cybrom Borges de Sousa, Capitão Dr. Dinis Bulhão Pato e Capitão José do Couto Pereira.
2.º turno: Dr. Augusto Botelho Simas, Eng.º Francisco Pacheco de Castro, António Damião de Medeiros e Alberto Lopes da Silva.
3.º turno: José Joaquim de Azevedo Oliveira Rodrigues, João P. Read, Amadeu de Frias Coutinho e Prof. Orlando Augusto Borges Brandão.
O luto foi conduzido pelo Major Garcia Martins, chefe do Estado-Maior do Comando Militar dos Açores, e o funeral foi dirigido por Bruno Forjaz Tavares Carreiro.

