Jeremias da Costa
Faleceu a 7 de Maio de 1970 na sua residência em São José, concelho de Ponta Delgada, aos 90 anos de idade, o Dr. Jeremias da Costa, prestigioso reitor, professor liceal, gestor administrativo e político republicano micaelense.
Nasceu a 16 de Janeiro de 1880 na freguesia de Conceição, concelho de Ribeira Grande. Inicialmente destinado a seguir a carreira eclesiástica, estudou no Seminário Episcopal de Angra. Sem concluir o curso, transferiu-se para a Escola do Magistério Primário de Ponta Delgada, onde, após concluir o curso, exerceu durante alguns anos as funções de professor do ensino primário. Seguidamente habilitou-se como pensionista do Estado, por concurso aberto pela Direção do Ensino Primário e Secundário, no Ministério do Interior, para cursar Ciências Naturais na Universidade de Gand (Bélgica).
Em 1912 fixou-se em Ponta Delgada, onde foi, posteriormente, colocado no antigo Liceu da Graça, do qual se tornou reitor em 1919. Durante a sua carreira como docente, introduziu importantes inovações no ensino das Ciências Naturais, tendo, visando à melhoria da sua vertente experimental, dotado os laboratórios de química liceais, o que na altura representou muito para o ensino secundário. Foi professor no Liceu Nacional de Ponta Delgada até 1948, ano em que se aposentou, reforçando a longa dedicação ao ensino secundário na ilha.
Em 1921, devido ao facto do Liceu da Graça não reunir as condições necessárias para o ensino secundário, foi responsável, na qualidade de presidente da Comissão Executiva da Junta Geral do Distrito Autónomo de Ponta Delgada, cargo que exerceu entre 1919 e 1924, e de reitor deste liceu, pela aquisição do Paço do Barão da Fonte Bela, para nele instalar aquele que é o atual Liceu Antero de Quental. Promoveu ainda o desenvolvimento da disciplina de educação física, nomeadamente através da construção do campo de jogos do liceu, uma estrutura pioneira no panorama dos estabelecimentos de ensino daquela época.
Para além disso, na vertente política, foi membro destacado do Partido Republicano Português, tendo ocupado lugares de relevo na administração distrital de Ponta Delgada durante a Primeira República Portuguesa. Foi ainda governador civil do Distrito Autónomo de Ponta Delgada de 1 de Novembro de 1924 a 28 de Setembro de 1925, presidente da Associação de Futebol de Ponta Delgada de 1 de Dezembro de 1929 a 24 de Fevereiro de 1931, membro fundador do Clube União Sportiva e presidente do Grémio dos Exportadores de Frutas e Produtos Hortícolas de São Miguel. Manteve-se sempre fiel às suas convicções democráticas durante o Estado Novo, tendo integrado o Movimento de Unidade Democrática (MUD) de Ponta Delgada em 1945.
O seu nome foi dado a uma das salas do Liceu Antero de Quental e integrado na toponímia da cidade de Ponta Delgada, na freguesia da Relva. O seu nome surge também entre os associados fundadores do Instituto Cultural de Ponta Delgada, destacando a sua presença também na vida cultural e intelectual da região.
O seu funeral realizou-se no dia 8 de Maio, pelas 11h30, após missa de corpo presente na Igreja de São José, de onde seguiu para o cemitério de São Joaquim.

