Padre Rebelo
Nasceu a 22 de Setembro de 1900 na freguesia de São Sebastião, concelho de Ponta Delgada. Aos 14 anos, aquando do falecimento do seu pai, viu-se obrigado a interromper os estudos para trabalhar, tendo exercido a atividade de “Guarda-Livros” na Fábrica de Tabaco Estrela. Apenas aos 30 anos ingressou no Seminário Episcopal de Angra, demonstrando ao longo da vida uma determinação notável na concretização da sua vocação sacerdotal e pedagógica.
Terminou o curso de Teologia em 1936, tendo sido ordenado sacerdote a 21 de Junho daquele mesmo ano, pelo Bispo dos Açores, D. Guilherme Augusto da Cunha Guimarães. Regressou a São Miguel e, a 19 de Julho, celebrou a sua Missa Nova na Igreja Matriz de São Sebastião. Ainda nesse ano fundou a Associação Católica de Ponta Delgada, evidenciando desde cedo a sua preocupação com a formação espiritual e social da comunidade. Exerceu o seu múnus sacerdotal nas freguesias de São Pedro, Furnas e na Matriz de Ponta Delgada, destacando-se pela ação pastoral e pelo contacto próximo com as populações.
Em Maio de 1937 fundou o Escutismo Católico em Ponta Delgada, tendo o grupo nº 137 do Corpo Nacional de Escutas sido filiado sob a sua orientação, desempenhando funções de assistente religioso. O seu trabalho no escutismo refletia a aposta na formação moral, cívica e humana da juventude açoriana. A 20 de Janeiro de 1974 foi condecorado com a “Cruz de Mérito” pelo Chefe Nacional do C.N.E., em reconhecimento do seu contributo para o movimento escutista.
Para além da atividade religiosa, destacou-se também como professor de Religião e Moral no Liceu Antero de Quental e na Escola do Magistério Primário, tendo sido igualmente um dos impulsionadores do Movimento Vicentino em Ponta Delgada, promovendo ações de apoio social inspiradas nos valores de solidariedade cristã e serviço à comunidade. Dominava ainda várias línguas estrangeiras, o que refletia a sua sólida formação cultural.
Ao longo da sua vida sacerdotal deixou também marca na vida social e associativa da região, sendo recordado pelo seu trabalho com jovens e pela proximidade às comunidades paroquiais. Em homenagem ao seu percurso, o seu nome foi integrado na toponímia da cidade de Ponta Delgada, na freguesia de São Sebastião.
O seu funeral realizou-se no dia 22 de Fevereiro, após a celebração das solenes exéquias pelo padre José Ribeiro Martins, na Igreja Matriz de São Sebastião, de onde seguiu para o cemitério de São Joaquim.

